Adam Neate (nascido em 1977) é um pintor britânico, artista conceitual e foi descrito pelo The Telegraph, em 2008, como “um dos artistas de rua mais conhecidos do mundo”. Ele é conhecido por produzir arte urbana em cartão reciclado, e ter deixado milhares de obras na rua para qualquer pessoa colecionar. É colaborador do movimento de transferência de arte de rua para galerias.
Neate nasceu em Colchester, Essex e cresceu em Ipswich, Suffolk. Em meados da década de 1980, com nove ou dez anos, conheceu a arte do graffiti por meio de um primo, que se interessou por ela. Adam assistiu a vídeos em VHS sobre grafite, além de ouvir hip-hop e grupos como o Beastie Boys.
Também pegou emprestado, da biblioteca, alguns livros como Spray Can Art e Subway Art: ele foi atraído pela qualidade colorida da obra de arte que ele queria imitar. Não estudou pintura, mas se formou em design no Suffolk College, depois mudou-se para Londres e conseguiu um emprego como designer gráfico na Glue London, uma agência de publicidade digital.
Adam começou a pintar, o que já queria fazer há muito tempo. Usando aerossóis e objetos encontrados, pintava em caixas de papelão, que recolhia na rua, evitando o uso de telas pelo custo.
Seu trabalho pode ter qualidades bidimensionais e tridimensionais, pois ele rasga o material, constrói-o em camadas e grampeia peças, fazendo principalmente imagens figurativas, que incluem autorretratos e retratos de amigos.
Adam doou trabalhos para amigos, mas produziu um excedente e os deixou embrulhados em sacos de lixo do lado de fora de lojas de caridade como doação. Quando descobriu que não estavam sendo vendidos, mas jogados fora com o lixo, passou a deixá-los nas ruas, com obras apoiadas em postes, portas e latas de lixo, como uma exposição aberta, que parecia ‘realmente surreal’. Ele conseguia produzir cerca de 20 pinturas por noite e cerca de 1.000 por ano. Durante um período de cinco anos, ele deixou milhares de suas obras nas ruas de Londres.
I developed a language called Dimensionalism. To try and express 4d thinking in a 3d form. The painting/composition would change shape and form as the viewer moved around the painting. Depending on what angle you looked at the painting the painting’s meaning may change – Adam Neate em entrevista para o Visual Atelier 8.
O valor social da arte
Em 14 de novembro de 2008, no evento The London Show, ele e ajudantes deixaram 1.000 impressões, no valor total de £ 1 milhão, pelas ruas de Londres para qualquer um pegar e guardar.
Quando a noite chegou, as primeiras equipes começaram nos bairros mais ao sul, Bromley, Bexley e Merton, e chegaram ao centro, cobrindo todos os 32 bairros e a cidade de Londres, e terminando nas primeiras horas. Os trabalhos foram deixados nas portas e nas vitrines das lojas.
Alguns dos trabalhos apareceram rapidamente no eBay com preços iniciais variando de 99p a £1.000; Neate não tinha objeções a essas vendas, e achou que isso poderia ajudar algumas pessoas no Natal. Ele disse: “Sempre foi um sonho meu fazer uma mostra por toda Londres, dominar toda a cidade de uma só vez. Eu quero que todos possam ver, mas uma vez que as peças estejam lá, eu não me importo com o que acontece com elas”.
As obras foram feitas em serigrafia em papelão com a imagem de um homem com estampagem, cada uma ligeiramente diferente, e protegida em papel-celofane; Andy Warhol forneceu o precedente para a produção de estilo industrial. Neate criou a imagem mestre em um estêncil e, a partir daí, não tocou nas impressões, que foram feitas por um serígrafo profissional. Elas foram carimbadas com sua assinatura.
Neate queria superar as fronteiras entre produto, impressão e pintura: “Estou interessado nessa ideia de Warhol das obras como readymade assistidas”. Ele disse: “Todo o conceito de arte livre estava desafiando a noção de arte como uma mercadoria e seu valor na sociedade. Agora estou levando isso para outro nível, testando a viabilidade de separar a arte do comércio”.

Dimensionalismo
Adam Neate se manteve afastado das galerias, mas foi contatado por Elms Lesters, que queria mostrar seu trabalho. Neate aceitou o convite, mas decidiu fazer um trabalho diferente de sua arte de rua e desenvolver outras técnicas e estilos. Em março de 2007, o jornalista Max Foster pegou um trabalho de Neate e foi o primeiro a relatar sobre ele.
Em agosto de 2007, no Elms Lesters Painting Rooms, em Londres, fez uma exposição individual, que esgotou poucas horas após a abertura. Ele foi descrito como pioneiro do novo movimento que mostra arte de rua em galerias de arte convencionais. Depois disso, ele foi capaz de deixar seu emprego. Em dezembro de 2007, sua pintura ‘Suicide Bomber’ foi vendida por £ 78.500 na Sotheby’s.
A arte de rua de Neate despertou interesse global, tendo sido documentada em reportagens da CNN e da TV europeia. Grandes colecionadores e celebridades disputam suas obras originais e seus trabalhos são elogiados por críticos em todo o globo. Desde 2011 Neate vem aperfeiçoando sua própria linguagem a ‘Pintura Dimensional’.
Seu trabalho é tecnicamente especializado e lhe rendeu o reconhecimento do Tate, National Portrait Gallery e The National Gallery e teve várias mostras esgotadas na The Elms Lester Gallery. Ele está continuamente desafiando seu trabalho, muitas vezes citando Picasso: “Copiar a si mesmo é mais perigoso do que copiar os outros. Leva à esterilidade”.

