
Alexandre Vianna na Choque Cultural
Alexandre Vianna apresenta uma experiência imersiva que desloca o foco tradicional da arte visual para um campo mais amplo de percepção sensorial. Seu trabalho investiga o som como matéria escultórica, capaz de ocupar o espaço e agir diretamente sobre o corpo do visitante.
No centro da exposição está um dispositivo sonoro imersivo: uma sala revestida por tecido que funciona como um cubo acústico. Dentro desse ambiente, o artista constrói uma composição estereofônica de sons de alta frequência que produzem vibrações espaciais perceptíveis não apenas pelo ouvido, mas também pelo corpo. O visitante é convidado a entrar nesse espaço e permanecer por cerca de três minutos — tempo em que o módulo sonoro preenche o cubo acústico. (Esse é o tempo proposto pelo artista para que a experiência se complete).
Ao circular pela sala, cada pessoa pode aproximar-se ou afastar-se das fontes sonoras, modulando a intensidade das vibrações que atravessam o ambiente. O som deixa de ser apenas um fenômeno auditivo e passa a atuar como uma escultura vibratória, envolvendo o visitante e reorganizando sua percepção do espaço.
No centro desse cubo acústico encontra-se um espaço-cabine de tecido translúcido, uma espécie de câmara interna onde é projetado um vídeo abstrato composto por variações de cor e luz. Essa presença visual não busca competir com a experiência sonora, mas funcionar como um campo complementar de estímulo sensorial, criando uma articulação entre visão, audição e percepção tátil.
Ao reduzir o protagonismo habitual da imagem e intensificar a presença física do som, o trabalho de Alexandre Vianna propõe uma experiência multissensorial incomum, na qual a percepção visual passa a dialogar com estímulos auditivos e táteis.
Sobre o artista Alexandre Vianna
Sua trajetória se desenvolveu inicialmente no campo da fotografia e do filme. O artista sempre levou esses campos aos limites: na caso da fotografia, o movimento é elemento permanente e é consubstanciado principalmente pela sobreposição de imagens. Seus filmes, por outro lado, estão inevitavelmente associados ao som (nem sempre à música). Suas investigações recentes o aproximaram das ondas sonoras de alta frequência, elemento que transformou seu processo criativo para incorporar novos meios de expressão. A experiência sonora deixou de ser um apêndice para protagonizar a construção artística.
São essas descobertas que o Alexandre Vianna mostra na Choque Cultural a partir de Março de 2026. O projeto apresentado na Choque Cultural se organiza como um campo de experiência. Um espaço em que o som atua como arquitetura invisível e o visitante se torna parte ativa de uma escultura vibratória que se forma e se transforma a cada presença.




ALEXANDRE VIANNA
Alexandre Vianna é um artista contemporâneo brasileiro, diretor de filmes e fotógrafo, que se dedica a fotografia expandida e experiências audiovisuais imersivas.
Seu trabalho atual tem origem no estudo das altas frequências sonoras e do sound healing, investigando o som como um fenômeno energético e vibracional, capaz de influenciar de forma sutil a percepção e o estado de presença.
Por meio de processos que envolvem ensaio fotográficos, impressões das fotografias em pinturas, tecidos, colagens, com projeções e instalações, Vianna cria obras e ambientes que retratam a energia de pessoas imersas nessas frequências. A opacidade, a fragmentação, as camadas e o distanciamento da figuração tradicional, são características do seu trabalho que fomentam a reflexão.
Ao integrar som de alta frequência, fotografia, pintura, colagens e imagem em movimento, sua prática questiona os limites entre linguagens.
Aos 12 anos, em São Paulo, iniciou sua trajetória no skate. Imerso na cultura de rua, cresceu influenciado pela contracultura dos anos 1990 e pelas transformações culturais, musicais e artísticas da década, sempre conectado ao movimento DIY. Ainda jovem, tornou-se skatista profissional e editor de uma revista especializada em skate.
Apaixonou-se pela narrativa por meio das imagens, do movimento e dos manifestos visuais, estudando fotografia, formando-se em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero e em Roteiro para Filmes pela Laureate. Posteriormente, realizou uma MasterClass em Cinematografia pela ASC (American Society of Cinematographers), em Los Angeles.
Entre 2000 e 2010, a partir de sua experiência com impressão de revistas e fotografia analógica, Alexandre criou e publicou revistas e livros. Nesse período, explorou a videoarte, participou de exposições coletivas, dirigiu documentários e colaborou em diversos projetos artísticos, audiovisuais e culturais no Brasil.
Em 2010, decidiu dedicar-se integralmente à arte e ao campo dos filmes e do audiovisual. Em 2013, após uma série de exposições coletivas e colaborativas, lançou seu livro e realizou a exposição individual Streeteiro, no Paço das Artes (SP). Esse mesmo ano marcou sua imersão definitiva como diretor de filmes e diretor de fotografia no mercado audiovisual.
