
 Daniel Melim nasceu em São Bernardo do Campo em 1979. Pós graduou-se em Artes Visuais, mas foi nas ruas do seu bairro que aprendeu a pintar, fazendo graffiti e intervenções urbanas, quase sempre associadas ao estêncil, técnica de pintura sobre máscaras com imagens vasadas.

A pintura de Daniel Melim é sempre estudadamente bem composta. Trata-se de um pintor formalista, preocupado com a composição, a distribuição das massas de cores, com a riqueza de texturas e com a impressão do processo em cada trabalho.

O imaginário pesquisado por Melim, remete ao conforto de figuras retiradas de compêndios de clichês de publicidade antiga e simbolizam o mundo ingenuamente feliz, projetado pela propaganda.

Mas o uso dessas imagens é, invariavelmente, crÃtico. O artista transforma os clichês em estêncils e os aplica, à s vezes com ironia, à s vezes desprezando a qualidade simbólica da imagem e ficando apenas com a textura proporcionada pelas manchas de tinta. Cria, quase sempre, resÃduos de imagens borradas e desfocadas, quase desfiguradas e transformadas em ruido visual.
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A nostalgia gentil das imagens aplicadas nas suas telas, contrasta com a energia liberada pela pesquisa estética da sujeira, proposta pelo artista. As texturas que impregnam cada centÃmetro da sua pintura, trazem a tona toda a beleza e a feiúra dos muros mal acabados e das construções pobres que inspiram o artista.

Daniel Melim transita pelo Pop das imagens publicitárias, dos letreiros e dos sÃmbolos esteriotipados usados na propaganda. Transforma esses sÃmbolos em elementos pictóricos, que passa a explorar como se fossem pinceladas na sua pintura. Tanto nas telas, quanto nos murais.

No caso das intervenções urbanas, as texturas já estão prontas para serem usadas. O artista pesquisa os lugares que receberão as intervenções, olhando para a sujeira e o desgaste dos muros, provocado pelo tempo e pelo uso. Pátinas, rabiscos, pinturas descascadas, tudo vai sendo apropriado pelo artista e transformados em texturas e composições.

A intervenção salta do mural para a instalação, numa ocupação sofisticada do espaço e dos signos urbanos. O artista propõe uma conversa aberta e estética com o transeunte desavisado, que se surpreende na sua rotina e desfruta a arte repentina.
