Qual a importância dessa exposição?
A exposição é um fato raro para o público paulistano. Nós não estamos acostumados a ter contato com uma cena, um movimento artÃstico que está acontecendo agora, nesse momento. Essa exposição não trata de nada requentado ou deja vú… fala de uma arte pulsante e que está emergindo agora do eixo Nova York-Califórnia. A proposta da exposição é colocar São Paulo no circuito mundial da arte “alternativa” ou underground. Nunca nenhum dos artistas convidados participaram de mostras aqui no Brasil, o que é um atraso brutal com a nossa contemporaneidade! É como se nunca mais tivéssemos recebido nenhuma outra banda de rock além do Queen em 80… Â
Porque Made in America?
A exposição é parte de um programa de intercâmbio artÃstico e cultural promovido pela Choque Cultural e pela Jonathan Levine Gallery de Nova York. Em Fevereiro de 2007 a Choque levou 8 artistas vindos do graffiti paulistano, para mostrar seus trabalhos na Jonathan LeVine Gallery de Nova York. Agora, a Choque passa para o outro lado da ponte e mostra o que a América de cima tem a dizer para a América aqui de baixo. Na verdade, ambas as galerias estão mostrando para o seu público local a riqueza de uma arte nova, de amplitude global e que tem muita coisa em comum, principalmente juventude e energia.Â
O que essa exposição tem de diferente?
A arte nunca foi tão jovem quanto ela é hoje! Essa é, atualmente, uma das questões mais interessantes da arte contemporânea. O surgimento de uma nova audiência juvenil, o que nunca aconteceu antes na História da Arte. Esse jovem faz parte de uma geração que assimilou a linguagem ágil que é usada na internet, no rock, nos comics, no mangá, na moda ou na publicidade. Esse novo e jovem público aprendeu a colecionar arte, colecionando brinquedos, bonés, tênis e tudo o que fosse customizado, assinado ou tivesse uma edição limitada. É um público que passou a exigir uma arte mais dinâmica, interessante e comunicativa, diferente do modelo “cabeção”, conceitual e sisudo que identificou a arte “oficial” das últimas décadas.E desse ambiente, desse zeitgeist, surgiu uma nova arte, tão nova que não tem nem nome ainda… Skate, hip hop, punk, graffiti, street art, arte urbana, pop surrealism, toy art são algumas palavras-chave para se aprofundar na questão. Â
Se essa arte é tão boa, por que nunca foi mostrada por aqui?
Revolução não se aprende na escola e não procura reconhecimento.A publicidade aprendeu rápido a falar a lÃngua dos jovens, interessada que é nessa faixa de consumo. Já as instituições artÃsticas mais tradicionais e a crÃtica de arte em geral têm resistido em reconhecer a qualidade e contemporaneidade de artistas vindos do graffiti, dos quadrinhos, da ilustração, do design e de outras fontes que não as acadêmicas. O problema é que a arte, quanto mais nova, subversiva e revolucionária, mais dificuldades tem para ser aceita. A História comprova essa tese. No auge da experiência, os impressionistas foram desprezados, os modernistas vaiados, os artistas da Pop Art nem foram considerados. Depois de um tempo, é claro que a crÃtica entende, o mercado aprende a vender e até a escola vai acabar ensinando. Â
Os artistas da Jonathan LeVine Gallery são grafiteiros?
Entre os artistas da Made in América, alguns têm os pés na street art, como Shepard Fairey e Jeff Soto. Mas, nos Estados Unidos, os quadrinhos e a ilustração têm uma presença muito mais importante que a do graffiti, na formação de talentos. Seu mercado editorial gigantesco sempre produziu ilustradores e cartunistas inesquecÃveis, como Norman Rockwel, Ben Shahn, Saul Steinberg, Gruau, entre tantos. Essa tradição norte-americana está sendo sistematicamente revitalizada pelos artistas que a Choque mostra em Janeiro. Todos têm o dna do ilustrador e o máximo cuidado sobre a artesania da arte. Jonathan LeVine, galerista de Nova York, faz com os artistas advindos da ilustração norte-americana o mesmo que a Choque faz com os artistas surgidos no graffiti paulistano. Lhes oferece uma plataforma para serem entendidos e respeitados. Apresenta esse novo artista para uma audiência que está acostumada a ver, criticar e comprar arte. E se propõe uma ponte entre o mais erudito crÃtico e o mais intuitivo artista.  Â
Por essa exposição é tão especial?
A exposição Made in America mostra trabalhos originais de todos os artistas. Todos produziram obras especialmente para a exposição. Os artistas Gary Baseman, Tim Biskup, Mars1, Souther Salazar e Shag participam da montagem e da inauguração. É uma oportunidade única do público paulistano poder ver e adquirir obras desses artistas. São artistas cultuados em todo o mundo. Suas exposições individuais são super concorridas e suas obras disputadas a tapa. Essa exposição se torna ainda mais interessante pelo fato de que raramente tais artistas são vistos juntos numa mesma mostra. É a oportunidade do paulistano obter um rico panorama do que de mais contemporâneo tem-se produzido na América do Norte.  Â
Serviço: Exposição Made in America.O time de 11 artistas da coletiva: AJ FOsik, Andrew Brandou, Camille Rose Garcia, Dalek, Gary Baseman, Jeff Soto, Mars1, Shag, Shepard Fairey, Souther Salazar e Tim Biskup. A exposição segue de 21 de Janeiro a 29 de Fevereiro de 2008A galeria funciona de Segunda a Sábado, das 12 às 19 horas.