Mariana Martins | Choque Cultural

Lançamento Novos Diplomas Falsos


 

Lançamento de nova série de Diplomas Falsos da Mariana Martins

Sábado, 24 de março de 2012 - 14hs

Rua João Moura, 997 - Pinheiros

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Mariana Martins


 

Mariana Pabst Martins nasceu em 1958 e desde cedo se dedicou às artes visuais. Estudou arquitetura, projetou e contruiu casas, trabalhou com cenografia, figurino, paisagismo e fez várias exposições ao longo dos últimos trinta anos.

Seu imaginário é complexo e mistura referências tão distintas quanto a pintura Pré Rafaelita, a Pop Art,  a estética dos diplomas, o desenho de Aldemir Martins, seu pai, ou o do tatuador Jotapê, seu filho.

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Além do traço refinado, da escolha de cores sempre harmoniosa, seu trabalho expressa uma intensa pesquisa de linguagens, técnicas de pintura, impressão e materiais. Por exemplo, na sua longa série de trabalhos inspirados na estética dos diplomas e certificados, a artista explora a impressão com carimbos, aplicação de lacres sobre papéis de das mais variadas procedências. Nas caligrafias, a artista experimenta as tradicionais penas chanfradas, os pincéis japoneses(fude) ou os canetões de ponta chanfrada encontradas nas graffiti shops. 

Em 2004 fundou a galeria e editora Choque Cultural, onde se dedica a mostrar o trabalho de artistas que admira e a encaminhar as carreiras de artistas das novas gerações.

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Manuscript Replica


 

- OBRAS DISPONÍVEIS/available art 

O nome da exposição tem muito a ver com as colagens de Mariana, que utiliza embalagens, lacres e grafias das mais variadas origens, e é uma menção à música “Rolodex propaganda”, da banda At the drive-in.

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Manuscript Replica reúne cerca de 20 obras com medidas entre 1 x 1 m e 60 x 30 cm que prezam pela seleção estética de materiais que se combinam visualmente para caracterizar os diplomas criados pela artista.

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Mariana Martins, que tem forte referência no trabalho do cartunista americano nascido na Romênia, Saul Steinberg, já realizou exposições de diplomas anteriormente, mas hoje, a partir de seu estudo de caligrafia e da atual discussão sobre o tema, levanta mais possibilidades para os novos trabalhos.

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Mariana Martins conta que seu trabalho com diplomas começou com seu pai, Aldemir Martins: “ao visitar um amigo, ele viu sua sala repleta de diplomas e comentou comigo que não possuía nenhum, afinal era autodidata. Rapidamente, eu me dispus a produzir o primeiro diploma para meu pai e não parei mais”, revela. “Busco, embora de forma divertida, questionar a função de um diploma no cenário atual da educação. Diploma é ou não necessário? Confere ou não autenticidade à profissão e talento dos indivíduos? A inteligência não é mensurável!”, constata Mariana.

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“Faço diversos diplomas ao mesmo tempo e não há padrão no meu processo criativo; começo a partir de um lacre, ou uma fita dourada, papel nobre para a base, ou uma nova caligrafia”, detalha. Assim, o expectador verá, nas obras, o uso constante de lacres, selos postais, embalagens de cigarro e de Gengibirra (refrigerante popular no interior do Brasil), de doces etc, que são aplicados sobre um papel de qualidade, além de uma moldura clássica. “Pendurar um diploma na parede é um ritual!”, argumenta Mariana.

Manuscript Replica por Mariana Martins

Todo tipo de classificação humana dita “científica” sempre me irritou e me deixou sentindo um cheiro de fascismo. Provas de escola, testes de Q.I., médicos que sabem definir a fisionomia de um malfeitor por medidas ergonômicas… Os diplomas são a imagem mais estética e patética dessas classificações. Suas autenticações rococós e aspecto falsamente vetusto, no fundo querem simplesmente dizer “eu sou mais que você”. Os diplomas são obras hipócritas, nas quais o mais importante é criar uma aura de autenticidade e credibilidade, não importando realmente, o significado do título que aufere.

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Nos meus diplomas, os textos não significam nada, não estão escritos em nenhum idioma, são unicamente exercícios caligráficos, letras desenhadas, inventadas, pertencentes a alfabetos imaginários. São desenvolvimentos estilísticos que remetem a escritas antigas, exóticas, distantes, desconhecidas. Eu me divirto enaltecendo e amplificando a importância do nada. É a minha doce vingança contra as aparências intimidatórias dos diplomas “de verdade”.

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Artista, que também é uma das fundadoras da Choque Cultural, se diverte ao produzir diplomas com elementos inusitados na exposição Manuscript Replica

“O seu trabalho consiste em realizar elaborados diplomas, artesanalmente perfeitos e requintados, como iluminuras, como peças do século XIV, conferindo títulos, méritos e possibilidades para todos nós. Uma espécie de denúncia das vaidades e de ironia com a sociedade e as pessoas seguras e localizadas em rígidos sistemas sociais e hierarquias”

Jacob Klintowitz, curador e crítico de arte, sobre Mariana Martins (1981)

 

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