- OBRAS DISPONÍVEIS/available art
O nome da exposição tem muito a ver com as colagens de Mariana, que utiliza embalagens, lacres e grafias das mais variadas origens, e é uma menção à música “Rolodex propaganda”, da banda At the drive-in.
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Manuscript Replica reúne cerca de 20 obras com medidas entre 1 x 1 m e 60 x 30 cm que prezam pela seleção estética de materiais que se combinam visualmente para caracterizar os diplomas criados pela artista.

Mariana Martins, que tem forte referência no trabalho do cartunista americano nascido na Romênia, Saul Steinberg, já realizou exposições de diplomas anteriormente, mas hoje, a partir de seu estudo de caligrafia e da atual discussão sobre o tema, levanta mais possibilidades para os novos trabalhos.

Mariana Martins conta que seu trabalho com diplomas começou com seu pai, Aldemir Martins: “ao visitar um amigo, ele viu sua sala repleta de diplomas e comentou comigo que não possuía nenhum, afinal era autodidata. Rapidamente, eu me dispus a produzir o primeiro diploma para meu pai e não parei mais”, revela. “Busco, embora de forma divertida, questionar a função de um diploma no cenário atual da educação. Diploma é ou não necessário? Confere ou não autenticidade à profissão e talento dos indivíduos? A inteligência não é mensurável!”, constata Mariana.

“Faço diversos diplomas ao mesmo tempo e não há padrão no meu processo criativo; começo a partir de um lacre, ou uma fita dourada, papel nobre para a base, ou uma nova caligrafia”, detalha. Assim, o expectador verá, nas obras, o uso constante de lacres, selos postais, embalagens de cigarro e de Gengibirra (refrigerante popular no interior do Brasil), de doces etc, que são aplicados sobre um papel de qualidade, além de uma moldura clássica. “Pendurar um diploma na parede é um ritual!”, argumenta Mariana.
Manuscript Replica por Mariana Martins
Todo tipo de classificação humana dita “científica” sempre me irritou e me deixou sentindo um cheiro de fascismo. Provas de escola, testes de Q.I., médicos que sabem definir a fisionomia de um malfeitor por medidas ergonômicas… Os diplomas são a imagem mais estética e patética dessas classificações. Suas autenticações rococós e aspecto falsamente vetusto, no fundo querem simplesmente dizer “eu sou mais que você”. Os diplomas são obras hipócritas, nas quais o mais importante é criar uma aura de autenticidade e credibilidade, não importando realmente, o significado do título que aufere.

Nos meus diplomas, os textos não significam nada, não estão escritos em nenhum idioma, são unicamente exercícios caligráficos, letras desenhadas, inventadas, pertencentes a alfabetos imaginários. São desenvolvimentos estilísticos que remetem a escritas antigas, exóticas, distantes, desconhecidas. Eu me divirto enaltecendo e amplificando a importância do nada. É a minha doce vingança contra as aparências intimidatórias dos diplomas “de verdade”.

Artista, que também é uma das fundadoras da Choque Cultural, se diverte ao produzir diplomas com elementos inusitados na exposição Manuscript Replica
“O seu trabalho consiste em realizar elaborados diplomas, artesanalmente perfeitos e requintados, como iluminuras, como peças do século XIV, conferindo títulos, méritos e possibilidades para todos nós. Uma espécie de denúncia das vaidades e de ironia com a sociedade e as pessoas seguras e localizadas em rígidos sistemas sociais e hierarquias”
Jacob Klintowitz, curador e crítico de arte, sobre Mariana Martins (1981)