Pintura: Daniel Lannes | Choque Cultural

algumas obras da exposição


 

Alguns exemplos do talento e habilidade deDaniel Lannes na pintura a óleo.

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Lannes por ele mesmo


 

Em meu trabalho, venho apropriando-me de um inventário de objetos e acessórios que levam a marca da sociedade contemporânea, valorizando as dimensões do humor, do erotismo, da ironia e explorando as situações contraditórias com que nos defrontamos no nosso cotidiano hiper tecnológico e globalizado.

Atualmente, meus trabalhos são baseados em fotografias de publicidade. Dessa forma, procuro alcançar uma artificialidade ainda maior que a próprio universo publicitário; pois nas fotos utilizadas pela propaganda há o indício das pessoas e objetos que ali posaram. As minhas pinturas são apenas pinturas. Seus objetos não existem.

O espaço que proponho é construído ora de forma mais realista, ora de forma fantástica, dependendo do tema e da narrativa abordadas em cada trabalho.

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Oscar D’Ambrósio escreve sobre a exposição


 

Daniel Lannes

 

            Pintura como começo, meio e fim

 

            Pintar não apenas desenvolver uma técnica que permita trabalhar com as cores sobre algum tipo de suporte, seja tela, lona ou algo menos convencional. A atividade exige o pleno entendimento de que criar uma imagem provém de um pensamento e de uma prática do olhar.

            Nesse aspecto, Daniel Lannes tem muito a oferecer. Ele concebe o espaço da tela como um universo em que o simbólico predomina. O fazer, em constante aprimoramento, é colocado a serviço de uma idéia sobre o que seja a arte e, mais especificamente, como uma leitura, plena de ironia, à sociedade de consumo.

            Nascido em Niterói, RJ, e marcado pelo conhecimento dos mestres da pintura em suas viagens ao continente europeu e da chamada Escola de Nova York, influenciada pelo expressionismo abstrato, no período que estudou nos EUA, apresenta na galeria Choque Cultural, em maio de 2008, seu olhar atento e crítico.

            As imagens que Daniel cria operam geralmente com objetos que são desejos de consumo, como um sapato, um anel, ligado à união dos amantes ou uma bengala doce, daquelas de parque de diversões. São objetos comuns que, enfrentados como matéria pictórica, ganham conotações inesperadas.

            Uma figura paradigmática é a do patinho amarelo –  muito presente nas banheiras infantis – colocado atrás das grades. O bom humor surge como um ataque ao consumismo e, principalmente, pela mescla da ingenuidade com a marginalidade e mesmo do amarelo do material plástico com a atmosfera sombria da cela.

            Daniel Lannes transforma o cotidiano que enxerga e do qual se apropria em pinturas. Constrói com seu olhar um microcosmo que dialoga com o macrocosmo no qual cada um de nós se insere. A ótica presente em sua contundente pintura, plena de referências, obriga a repensar o mundo consumista que nos rodeia e oprime.  

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

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