Pop Revisitado | Choque Cultural

A exposição/ the show


 

A arte Pop dos anos 60 e a Cultura Pop de hoje.

 Individual de Gerald Laing

Individual do inglês John Simpson

Individual de Daniel Melim

Mais: trabalhos especiais de Mariana Martins, Silvana Mello, Felipe Lopez, Fausto Chermont, Magoo e Presto.

Pré abertura: 3 de julho de 2008, das 18 às 22 hs  

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Gerald Laing


 


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John Simpson


 

O trabalho de John Simpson fala de extremos: é extremamente elaborado, delicado, agressivo. A pergunta que se faz é “como o artista consegue carregar suas obras com tantos predicados incompatíveis à primeira vista??”.

Bom, isso é o que um artista que domina o desenho, com muita precisão, é capaz de fazer, quando quer realmente que a sua audiência se emocione.

John Simpson trabalha entre a gravura e o original ( e esse é outro aspecto surpreendente do seu trabalho). Simpson se apropria da linguagem da gravura para explorar melhor os efeitos do seu desenho. Por exemplo, quando decalca o coelhinho por trás do papel onde foi impressa a águia. Em parte das obras mostradas na Choque, o artista explora a monotipia, numa técnica que tem aprimorado ao longo dos úlitmos anos. Ele faz o desenho numa lâmina de vidro e passa o desenho “decalcando-o” sobre o papel. Outra parte da mostra é dedicada às serigrafias, que são também feitas de forma particular: o artista transfere o desenho da lâmina de vidro diretamente para a folha transparente que gera a tela de silscreen, com a qual será impressa a gravura.

Portanto, a técnica apurada está a favor e muito bem sintonizada à emoção que o artista quer imprimir aos seus trabalhos.´Esse é o fator principal de tanta força expressiva

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Do que trata a exposição?


 

Nós queremos mostrar tudo o que a Pop Art do anos 60 tem a ver com a Cultura Pop atual. Convidamos o emblemático artista Gerald Laing, 73 anos, um dos mais importantes artistas ingleses, ativo integrante da Pop Art britânica e americana à partir dos anos 60, para mostrar sua novíssima série de trabalhos inspirados nas imagens da prisão de Abu Ghraib (Guerra do Iraque).  A essa individual de Laing, que vem pela primeira vez ao Brasil, se contrapõe uma coletiva de artistas jovens, escolhidos pela Choque, que pretende mostrar o quanto os ideários da Art Pop dos anos 60 e da Cultura Pop atual têm em comum: . o uso dos ensinamentos (e truques) da publicidade no modo como os artistas lidam com a audiência;. a naturalidade com que os artistas se apropriam de linguagens populares e “artes menores”, como os mangás, o graffiti e a tatuagem (assim como a Pop Art dos 60 fez com os outdoors, as latas de Campbell’s e os comics);. o gosto pelo apuro técnico, a valorização do desenho, da pintura e da escultura ao invés de desenvolvimentos muito teorizados;. e, principalmente: a procura de uma arte mais envolvente, carismática, emocional e magnética.  

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Qual a conexão da Arte Pop com a Arte Urbana?


 

No nascimento da cultura pop, a música teve o papel principal. O rock era uma música energética o suficiente para empolgar a nova audiência e os meios de comunicação estavam prontos para dissemina-la por todo o mundo. Tanto o rádio quanto a indústria fonográfica estavam no apogeu do seu desenvolvimento, prontas para a difundir a nova música em escala global.  A Pop Art dava às artes plásticas da época um papel importante também, mas a televisão não era ainda tão poderosa e popular quanto o rádio. Além disso, a pintura, a instalação e mesmo a performance eram criadas e usufruídas em processos mais intimistas, pessoais e contemplativos, em museus e galerias, enquanto as bandas de rock faziam shows e festivais cada vez mais catárquicos. A música estava mais conectada com o espírito comunitário e energético da época, próprios de uma comunidade juvenil que começava a se afirmar. Só depois de alguns anos, a arte começaria a encontrar meios de comunicação mais adequados à nova audiência juvenil. Apareceram as camisetas, a moda, o design e o primeiro suporte verdadeiramente popular, participativo e comunitário das artes plásticas: o graffiti. Um meio de atuação coletivo, no qual a obra acabada é a própria cidade, ou seja, o conjunto de todas os seus graffiti e pichações. Energético o suficiente, carismático, agressivo, pode-se dizer que o graffiti é para as artes plásticas hoje, o que o rock foi para a música nos 60.  O graffiti apareceu da fusão entre os mundos punk, hip-hop e skate. Essas três subculturas formaram o caldeirão cultural que redescobriu a tatuagem e ainda lançou o video clipe e o video game. Transformaram o pôster, o flyer, o sticker, o brinquedo em suportes que vão sendo, hoje em dia, transformados em itens colecionáveis, em múltiplos de tiragens limitadas, assinadas, numeradas e customizadas. Transformaram objetos de consumo em objetos de arte. Feita e usufruída pelo jovem urbano, o conjunto dessas formas de arte passou a ser conhecido por Arte Urbana. Assim, a Pop Art se revê agora, nas novas gerações, nas novas mídias, com energia renovada!  

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O que é Cultura Pop?


 

O que é a Cultura Pop?

 No final dos 50 e início dos 60, surgia a primeira geração de jovens depois da Segunda Guerra e, com eles, um choque cultural com as gerações anteriores, cujos valores seriam profundamente confrontados nos anos seguintes. O comportamento agressivo da juventude em relação aos valores conservadores dos seus pais criariam uma atmosfera subversiva e revolucionária. A agenda dessa juventude previa:. mudanças de comportamentos (sexual, político, estilo de vida etc).. a valorização da própria juventude, enquanto classe que queria ter poder de decisão.. a valorização do popular. No ocidente e no oriente, no capitalismo e no comunismo, o zeitgeist era o mesmo. Enquanto, na China, rolava a Revolução Cultural e a caça aos velhos costumes, nos Estados Unidos surgiam os hippies. Enquanto, em Cuba, os jovens Fidel Castro, Che Guevara e cia. tomavam o poder, em Paris levantavam barricadas e confrontavam a polícia. E a resposta capitalista ao “povo no poder” dos comunistas foi a descoberta da “beleza” das coisas populares, das latas de sopa, dos quadrinhos e da propaganda. Estabeleceu-se, então, uma cultura popular e juvenil, muito diferente da cultura dos “mais velhos”. A Cultura Pop. Esquerdista, subversiva, contestatória, comunitária e avessa à hierarquia, contra uma cultura erudita, polida, bem-pensante, de bom gosto e bons modos.  

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