Rubens Matuck | Choque Cultural

Um mundo de transparências


 

texto por Oscar D’Ambrósio*

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O processo do fazer é uma fascinação constante na trajetória do artista plástico Rubens Matuck. Seja no lápis de cor, no nanquim, na aquarela, na tinta acrílica, na pintura a óleo, na gravura ou na escultura, ele consegue aliar a pesquisa técnica a um intenso mergulho na respiração de cada procedimento utilizado.

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      No conjunto a ser exposto na Choque Cultural, em setembro de 2009, ele toma como suporte painéis de madeira. Eles são encontrados em caçambas que abrigam lixo urbano, como portas ou gavetas. Esses elementos, com suas rachaduras e irregularidades, são plenos de significados para o artista.

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      A madeira é vista como um objeto cheio de vida e em eterna mutação. Afinal, aquilo que vemos de uma árvore, é apenas metade de seu mistério, pois uma parte, a que está embaixo da terra, fica lá escondida aos nossos olhos. Além disso, por condições de umidade e temperatura sofre alterações constantes.

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      A escolha da madeira, o uso da lixa, a presença do gesso, as folhas de prata e ouro, a pintura a óleo e o acabamento esmerado, mas que não congela o material, vistos sempre como algo em mudança, tornam as obras de Matuck uma indagação eterna, um estímulo ao inteligente existir.

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      Há  ali perguntas para o criador e para quem vê. As interrogações se multiplicam pela presença, por exemplo, das transparências, que levam a um constante pensar sobre o que é a arte e qual é o seu significado. Cada novo trabalho, nessa ótica, é muito mais que um elemento plástico.

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     As indagações começam na escolha de procedimentos e se disseminam. Uma série de Rubens Matuck é um caminhar entre as gentes. Seu andar plástico é uma reflexão permanente sobre como as mais diversas técnicas podem expressar o que existe de mais denso e visceral dentro de cada ser humano.

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     Ao criar seu mundo visual, Matuck estimula a nossa capacidade de olhar. Essas conversas entre o artista, sua obra e o observador ativo geram as mais variadas interpretações. Talvez a mais rica seja aquela que indica para um diálogo infinito em que conhecer cada painel de madeira estimula um ver renovado do mundo. 

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 Foto de Bia Nakagawa Matuck

 *Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

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