Tendo morado em Lençóis, cidade com 10 mil habitantes no interior da Bahia, o artista desenvolveu uma verdadeira obra site specific – sítio específico, tipo de obra de arte criada para um espaço/ suporte/ lugar determinado. Doitschinoff pintou casas, muros, o cemitério local e até a Capela de Santa Luzia no Morro Alto do Tomba. A empreitada seguiu entre os anos de 2006 e 2008, logo após uma residência artística na Inglaterra.

Durante esses dois anos, Stephan morou no vilarejo quilombola da Bahia e construiu uma estreita relação com os moradores, além de incorporar a cultura local em suas obras, que mesclam imagens sacras e de cultura regional a caveiras e símbolos alquimistas. Calma nunca pediu nada em troca das pinturas e chegou a desenvolver parcerias com artesãos locais, além de ter a oportunidade de expandir seus estudos sobre o folclore e a religiosidade brasileira e africana.

A publicação é da editora alemã Gestalten, na língua inglesa, e conta com edição de R. Klanten e H. Hellige e textos de Tristan Manco, artista inglês autor do livro Grafitti Brasil, entre outros títulos, e Carlo McCormick, crítico, curador e editor chefe da revista americana Paper. O próprio Stephan Doitschinoff tem cinco contos sobre o seu trabalho diário em Lençóis.