
CONEXÕES individual PRESTO na CHOQUE
Abertura: sábado 19 de outubro 2024 das 10 às 17hs
Choque Cultural – Alameda Sarutaiá 206 – Jardim Paulista
A exposição individual do artista Presto na Choque Cultural focaliza a sólida carreira desse artista paulistano de descendência cearense. Presto tem 48 anos e uma ligação de muitos anos com a Choque, com importantes resultados como a exposição em Basel em 2010, a da Embaixada Brasileira em Tóquio, em 2012, o projeto Ponte em Juazeiro do Norte em 2013 e a exposição Conexões Urbanas no Sesi/Fiesp, em 2020 – todas exposições multimídias e com intervenções urbanas.

A exposição Conexões apresenta pinturas recentes, inspiradas nos diagramas gráficos que explicam o funcionamento de máquinas e sistemas. Presto criou mecanismos fantásticos que são simultaneamente orgânicos e maquínicos. Segundo o artista, essas pinturas sintetizam suas pesquisas de formas e cores: através delas, podemos “compreender melhor o funcionamento dos nossos sentimentos elementares”.

A exposição apresenta também alguns objetos criados a partir de pedaços de caixas de madeira e outros descartes de diversos materiais. O artista compõe essa miríade de pequenas bugigangas em arranjos que se assemelham a altares imaginários de “entidades urbanas”.


Presto é um artista da “segunda geração” do graffiti paulistano – a geração que colocou a cidade no mapa do graffiti mundial, com vários de seus artistas reconhecidos no cenário nacional e internacional. O movimento artístico desse grupo (do qual fazem parte artistas como Speto, os Gemeos, Nunca, Tinho, Daniel Melim, Nina, Waleska Nomura entre muitos outros) se sobressai pela inventividade e pela brasilidade urbana. Foram essas características que diferenciaram o graffiti realizado por essa geração. O que vinha sendo produzido até então era algo mais pasteurizado e reverenciando o estilo novaiorquino. Foi através do seu imaginário original e autoral que o graffiti brasileiro produzido em São Paulo se destacou e foi parar na exposição da Tate Modern em 2008, da Fundação Cartier em 2009, no MASP em 2009 e de lá pra cá em muitas exposições em todo o mundo, como atesta o livro Graffiti Brasil lançado em 2006 pela editora Thames & Hudson.




Dentro desse contexto histórico, o artista Presto se destaca pela solidez com que vem construindo o conjunto da sua obra, formada por um imaginário onírico e urbano, representado através de pinturas de grande apuro técnico, focada no uso do spray em traços muito finos e etéreos. O artista também produz assemblagens através das quais apresenta seu olhar de garimpeiro de objetos curiosos do cotidiano e os ressignifica em composições inusitadas.





Essa exposição é parte de uma pesquisa que pretende atualizar o público da Choque sobre os artistas urbanos da geração 1990 . Trata-se de uma revisão necessária e oportuna pois esses artistas, às vezes, são mais valorizados fora do aqui no Brasil. Presto é da mesma escola (literalmente) d’osgemeos, Speto, Nina, Vitché, Jana, Tinho – estudaram na mesma escola Carlos de Campos, o Cacá, e desenvolveram um repertório próprio, diferente do graffiti-hip-hop que produzia na época – A originalidade foi o motivo pelo qual essa geração fez tanto sucesso internacional. Presto morou no Japão, expôs em Basel, Pequim, LA, Miami entre outras praças que admiram o “graffiti paulistano”.
No livro Graffiti Brasil, escrito por Tristan Mando, Kaleb Neelon e Lost Art (Ignacio Aronovich e Louise Chin) e lançado em 2005 pela Thames & Hudson essa geração é colocada como uma grande referência para o mundo. O livro nem chegou a ser traduzido para o português, apesar do grande sucesso internacional.
Foi a partir do contato com Tristan Manco, que além de escritor e empolgado com o graffiti brasileiro, era também coordenador da Pictures On Walls – produtora de gravuras do Banksy em Bristol. Assim, nosso primeiro parceiro editorial foi o mítico artista britânico. Produzimos várias edições em parceria e fizemos dezenas de exportações com artistas brasileiros em Brighton e Londres, de 2006 em diante.
A dupla osgemeos se destacaram no mercado internacional de arte e também nos museus em todo o mundo, porém a visibilidade global dessa geração é incontestável, mesmo que muito do que conhece dos nossos artistas se restrinja ao seu trabalho público – de murais e grandes murais. Nem todos se transformaram em artistas de estúdio ou se dedicam menos ao estúdio do que à rua.
É toda uma geração a ser celebrada e valorizada em suas características específicas: que é o carisma de sua obra, a conexão com públicos que não são alcançados pela arte de mercado e pela perseverança dos artistas em prosseguir mesmo arcando com o “custo Brasil na arte” – que, convenhamos, é pior do que o “custo Brasil” das empresas

