Conhecido pelos trabalhos de arte pública e intervenções urbanas, o politizado coletivo BijaRi propõe a discussão de temas atuais na exposição “Estado do Sítio”, em cartaz de 11 de fevereiro a 31 de março, na Choque Cultural.
Composta por 12 trabalhos, entre objetos, esculturas e instalações, “Estado de Sítio” inova ao experimentar a linguagem tecnológica de mini mappings (técnica de vídeo projeção que expande a percepção para a tridimensionalidade).
Organizada dentro de uma cartografia que simula tempos de guerra, a exposição ocupa três espaços da galeria. No térreo, o grupo apresenta a visão sobre as tensões existentes no espaço público. No subsolo, apresentam “Ocupalância” e no andar superior mostram dois vídeos mappings nos quais objetos e espaços são alterados pela imagem.
Texto: https://catracalivre.com.br/rede/choque-cultural-recebe-exposicao-estado-de-sitio/






O FFW esteve presente na abertura da exposição e conversou com Maurício Brandão, um dos fundadores do Coletivo BijaRi, para entender a ideia por trás de “Estado do Sítio”.
Como surgiu e qual foi a ideia por trás da criação do Coletivo BijaRi?
O grupo surgiu meio sem pretensão. No início, era apenas um espaço que uns colegas de Arquitetura dividiam para fazer trabalhos de faculdade, festas e “obras” artísticas ainda de forma individual. Passado um tempo, alguns amigos começaram a nos pedir trabalhos de cenografia e de desenhos de disco, então a gente começou a trabalhar e assinar como um grupo. Nesse começo erámos como uma cooperativa, dividíamos o espaço, as ideias, com todas as coisas boas e ruins de projetos coletivos: a multiplicidade de ideias e referências, mas também o caos e a desorganização.
E a exposição “Estado do Sítio”? Como foi criar obras em escala reduzida, se comparadas com as que o Coletivo costuma desenvolver?
O nosso trabalho sempre esteve ligado à rua, a intervenções e performances em espaços públicos, sempre contextualizadas e com associação à vida real. A ideia da exposição na Choque Cultural foi como traduzir essa nossa abordagem da arte em uma galeria, que tem um espaço menor e mais condensado. O desafio foi como criar objetos que coubessem em uma galeria e pudessem mesmo assim transpor a multiplicidade dos trabalhos de arte pública para a galeria, então muitas vezes acho que a gente conseguiu trazer todas as questões poéticas que abordamos nas intervenções urbanas e sintetizar em objetos mais conceituais e formalmente mais parecidos com esculturas.
E do que se trata realmente a mostra “Estado do Sítio”? O que o Coletivo BijaRi quis propor?
Sempre estamos muito atentos às questões das tensões sociais e o “Estado de Sítio” nos pareceu uma metáfora para abordar diversas situações da realidade, como eventualmente a Cracolândia, a tomada dos Morros no Rio de Janeiro, a reintegração de posse no Pinheirinho e uma série de situações de conflitos sociais e políticos que inspiraram o projeto e nos fizeram pensar nos estados de sítio que permeiam a vida nas cidades, trazendo inclusive para o universo mais pessoal e subjetivo. A ideia então era pensar os estados de sítios em diversas esferas, não só as questões de Estado.
Fonte: https://ffw.uol.com.br/noticias/moda/exposicao-o-caos-social-sob-o-olhar-do-coletivo-bijari/)
