Nascido em 1957, em Porto Alegre, mora em São Paulo. O artista Paulo Carvalho Jr., conhecido pelo apelido Jaca, criou um imaginário muito específico que serve como fonte das histórias que vai narrando a cada desenho, pintura ou imagem digital que apresenta. Esse universo representa espaços urbanos e arquitetônicos nos quais acontecem cenas/situações e dos quais surgem personagens diversos, fantásticos e mundanos.
A formação de Jaca tem raízes no jornalismo, pois foi em redações de jornais que o artista viu surgir sua verve artística, gestada a partir da lida com a ilustração e do fazer diário. Em Porto Alegre, Jaca teve contato com o espaço Nervo Óptico, que por acaso ocupava o mesmo prédio onde cumpria sua jornada de trabalho e, em escapadas, acompanhava as exposições e performances que ocorriam no andar de cima.
O Nervo Óptico era também um coletivo formado pelo círculo da artista Vera Chaves Barcellos e era considerada a mais ativa vanguarda da época, tendo exibido Hélio Oiticica, Lygia Clark, Paulo Bruski entre outros, foi esse espaço que tanto influenciou o ainda aspirante a artista, Jaca.
E foi como ilustrador que Jaca começou a ganhar a vida e tornou-se conhecido já nos anos 80, quando também passou a influenciar outras artistas que o viam, como um ponta de lança nesse universo das publicações e editoras independentes que reuniam quadrinhos e produções alternativas às da grande indústria editorial.
Ao longo de seus anos de atuação contribuiu para veículos importantes como os jornais Diário do Sul, Zero Hora e O Estado de São Paulo, revistas Veja e Playboy. Ilustrou alguns livros infantis para as editoras Cosac&Naify, Hedra e Cia das Letras.
Teve seus quadrinhos publicados nas revistas especializadas Dundum, Animal, Big Bang Bang, Cybercomics e Tarja Preta. Também produziu fanzines com quadrinhos e ilustrações experimentais. Em parceria com Fabio Zimbres desenvolveu o projeto “Desenhomatic Ltda”, alguns fanzines e publicações artesanais.
Jaca e seu universo de inquietações
Nas telas, Jaca costuma apresentar variadas cenas/situações simultaneamente, através das quais é construída uma complexa narrativa sobre o espaço imaginário do qual fazem parte.
Em diferentes pinturas, algumas dessas cenas/situações e personagens podem reaparecer idênticas ou transformadas, sendo que o conjunto das suas pinturas formam uma construção permanente e acumulativa de uma cidade fantástica.
Nos desenhos feitos em folhas de cadernos, Jaca usualmente desenvolve os ícones e algumas situações específicas, como se estivessem num estágio de projeto, para alcançarem um novo estágio – mais definitivo – quando passa a pertencer a uma pintura em tela.
Esse procedimento de projeto/desenho e realização/tela é comum em seu processo criativo, porém não é exatamente uma regra. Os cadernos, em si, podem ser também considerados uma categoria de obra com a qual o artista se expressa regularmente.
Jaca tem uma intensa e extensa produção de peças únicas e originais criadas a partir de livros, cadernos e outras publicações, das quais o artista aproveita o objetos, mas os ressignifica pela pintura e interferência em todas as suas páginas e capas, como, por exemplo, a série de livros enciclopédicos, dos quais o artista mantém à vista algumas ilustrações e fotos originais da edição, porém pinta toda a área das páginas, reconfigurando por completo o livro em questão.
A produção digital também tem importância sensível no portfólio do artista – que foi um dos pioneiros da arte digital no Brasil – e corresponde a uma extensa parte de seu corpo de trabalho.
A sua categoria digital tem a mesma complexidade das pinturas em telas, nas quais o artista usualmente cria conjuntos intrincados de cenas/situações, utilizando as ferramentas, como canetas e mesas digitalizadoras e programas, como Photoshop e Illustrator.
Jaca também enveredou pela assemblagem, técnica que tem utilizado para construir impressionantes objetos tridimensionais e traduzir, para o campo dos objetos, o mesmo complexo imaginário que aparece nas pinturas. A colagem também faz parte do repertório do artista e pode ocorrer mesmo dentro de uma tela, em associação à pintura.
Apesar da profusão de trabalhos, esboços e projetos nas mídias supracitadas, pode-se considerar a pintura sobre tela, a principal e mais importante mídia desenvolvida pelo artista. Nas pinturas, Jaca sintetiza e transpõe para o espaço pictórico, como se fosse uma ópera, todas as árias que compõem o conjunto da obra.

Currículo Jaca
Exposições Individuais
2020 – Desenhomatic – Pinturas da dupla Jaca e Zimbres, Bolsa de Arte, São Paulo
2020 – Coletiva Choque 2020, Choque Itaim
2020 – Conexoes Urbanas Fiesp, SP
2018 – Conexões Urbanas, Sesi São José do Rio Preto, Sp
2018 – Coletivo Choque – Choque Itaim, Sp
2017 – Feira de Ciências, Bendgy SP
2015 – Jaca individual, Choque Cultural , Sp
2013 – “Jaca”, Acervo Choque Cultural, São Paulo, Brasil.
2011 – “Jaca”, Museu do Trabalho, Porto Alegre, Brasil.
2004 – “Desenhos com Doença”, Museu do Trabalho, Porto Alegre, Brasil.
Exposições Coletivas
2010 – “Transfer”, Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo, Brasil.
2008 – “Trimassa”, Galeria Choque Cultural, São Paulo, Brasil.
2002 – “Desenhos Nunca Vistos”, Galeria Obra Aberta, Porto Alegre, Brasil.
