No grande trabalho central da exposição, Jaca explora uma vasta paleta de cores, estética pouco usual pelo artista em suas telas menores. A cena em si revela-se muito complexa e intrincada, e essa paleta intensifica a perspectiva do caos. Uma curiosidade é que, mesmo a tela sendo muito grande, a dimensão dos personagens é a mesma que aparece nas telas de médio formato, ou seja, não se trata de uma ampliação, mas de uma tomada mais ampla da cena.
Esta, que é a terceira individual de Jaca na galeria, conta com pinturas feitas em tinta acrílica, que são o resultado da incansável pesquisa do artista, que desenha compulsivamente em busca da criação do cenário perfeito para sua abordagem.“Desenho muito, compulsivamente. Estou sempre rabiscando nos meus cadernos. Dos desenhos surgem situações que irei retratar nas telas. Nesses mesmos desenhos, desenvolvo a fundo meus personagens e todas as suas características físicas e psicológicas, e estudo as cenas e as ambientações que, eventualmente, vão se transformar nas grandes telas”, explica o artista. Aliás, alguns desses desenhos devem estar presentes nesta exposição para serem consultados pelo público, além de revelarem o processo criativo de Jaca.
Em 2012, Jaca fez uma individual no Museu do Trabalho, em Porto Alegre, sua cidade natal, e apresentou um conjunto de telas que mostravam uma espécie de saga dos seus principais personagens em várias cenas vívidas. “DesenhomaticLtda”, apresentada em Fortaleza, junto com o artista Fábio Zimbres, companheiro de desenhos e pinturas de muitos anos de Jaca – foi uma exposição, que além das obras, a dupla produziu alguns fanzines muito elaborados, usando material gráfico reciclado, capas de discos e livros antigos, e que também vão estar na exposição para serem folheados.
Texto: Instituto Cultural Arte Brasil






