Exposição fotográfica do artista Penna Prearo

“Labirintos Revisitados” conta com 49 imagens escolhidas a partir da produção mais recente do artista Penna Prearo, que reconfigura radicalmente os objetos fotografados através do tratamento digital. Com curadoria de Agnaldo Farias e Baixo Ribeiro, a mostra reúne a mais recente produção do artista.




Exposição: Penna Prearo – Labirintos Revisitados
Visitação: de 30 de junho a 16 de outubro de 2022
Terça a sexta, das 9h às 20h | Sábado, das 10h às 20h | Domingo e feriado, das 10h às 18h
Entrada gratuita. Não é necessário realizar agendamento.
Fotos: Ale Frata – Live Images

Texto de Agnaldo Farias sobre a exposição Labirintos Revisitados:
Prepare-se para ingressar num labirinto de labirintos, os labirintos construídos por Penna Prearo ao longo de 50 anos de carreira, desde sua progressiva saída de Itapevi, onde vivia, as idas e vindas à São Paulo, a metrópole cuja voracidade ele ousou enfrentar armado de câmeras fotográficas. Como todo mundo, Penna começou pela fotografia julgando que ela fosse um meio objetivo de capturar o mundo, aplacar seu tumulto perpétuo em instantes coagulados. Logo em seguida percebeu que não, ou melhor, percebeu que preferia operar dentro do tumulto, como alguém que em lugar de observar o redemoinho, resolve avançar para dentro dele. Fotografar, concluiu, é traduzir num plano a confusão cromática, a profusão de acontecimentos que se davam a sua volta, acontecimentos que bem podiam ser fabricados por ele. Por que não?
Ser fiel à fotografia, deixar-se levar por ela, não é o mesmo que ser fiel ao mundo, mas sim à própria natureza de uma linguagem que, como tal, pode ser dobrada, bifurcada, embaralhada, obliterada, fraturada, tanto quanto se queira. Cedo, na altura em que passou a dominar os fundamentos da linguagem, obtidos por anos de prática fazendo retratos, saindo pelo mundo afora à procura daquilo que não sabia ao certo o que era, mas que reconhecia assim que encontrava, Penna, que também é poeta, foi fazendo o que os poetas fazem quando sopesam as palavras, descongelam-nas das prisões dos significados estáveis, absolutos, fazendo-as vibrar em direções e camadas imprevisíveis.
Há décadas Penna Prearo quebrou o discutível pacto que impõe à imagem fotográfica o dever de capturar uma fração do mundo, o compromisso de ser transparente. Passou a fazer da imagem fotográfica um bumerangue que bate no mundo para voltar repicando sobre si. Começou desdobrando suas cores, optando retratar o mundo sob outros ângulos cromáticos, como Matisse que gostava de mulheres azuis e vermelhas, como Almodóvar com seus laranjas escandalosos, como as cores alteradas de Kubrick, como as surpresas cromáticas propiciadas pelos filmes vencidos da Fuji e da Kodak.
Com o tempo, como você que me lê poderá conferir em seguida, resolveu estilhaçar as imagens, submetê-las a um processo, digamos, caleidoscópico. Pois isso ainda foi pouco para ele. A coisa melhorou quando abandonou as pesadas câmeras convencionais e partiu para o celular, para o smartphone, rápido, portátil, profundamente eficaz, sobretudo quando se destina a produzir a matéria prima a ser trabalhada no computador. Ah, as delicias do universo digital, um território aberto para a pesquisa de acasos e equívocos.
Por fim, uma advertência, não pense o leitor que os títulos das series dão a chave de solução dos labirintos. Ao contrário, sua função é ampliar a dimensão problemática desse artífice de enigmas.



