
Mizulinas – Exposição individual de Erica Mizutani. De 29/07 a 18/08 na Alameda Sarutaiá, 206 – Jardim Paulista das 11/18hs
A exposição Mizulinas é a primeira de Erica Mizutani na Choque Cultural. São pinturas sobre telas e também uma pintura feita diretamente sobre paredes da sala expositiva. Mizulinas se refere ao nome usado pela artista para designar as figuras femininas que aparecem em sua obra há cerca de vinte anos. “Essas figuras representam espécies de amuletos que trazem cura aos muitos males com que somos atingidos todos os dias”: assim Mizutani explica diversas referências que nos são apresentadas nas pinturas como as espadas de São Jorge, objetos como espelhos, pentes, doces etc. De modo destacado surgem as minhocas listradas, simbolizando a fertilidade e, paradoxalmente as encanações que nos tolhem a criatividade (minhocas na cabeça). Além das telas com as Mizulinas, Erica apresenta na exposição uma obra de site specific (a artista vai pintar diretamente sobre paredes na galeria) – obra com que nos mostra sua habilidade em lidar com a espacialidade arquitetônica.









GRAVURAS





Biografia
Erica Mizutani é uma artista plástica brasileira, nascida em São Paulo em 1974, com ascendência nipônica. Apesar de ter passado pela escola de arte da FAAP, Erica considera sua formação intimamente ligada à família e à ancestralidade indígena Ainu, etnia que habita a ilha de Hokkaido, no Japão, onde morou o seu avô escultor.
Erica tem se destacado no cenário artístico por suas pinturas sobre telas, pinturas em escala arquitetônica, intervenções urbanas e produções digitais. Sua obra é marcada pela fusão de diferentes campos estéticos: um figurativo e outro abstrato.

Um dos campos explorados por Erica é o das figuras femininas icônicas, que ela chama de Mizulinas. Nas palavras da artista: “As Mizulinas traduzem a minha infância”. Essas figuras parecem retiradas de um imaginário fantástico, onírico, surreal e remetem, também, ao universo das bonecas e do toy art. As Mizulinas expressam uma certa transcendência espiritual ligada a uma história pessoal da artista: as primeiras Mizulinas foram criadas com a intenção de transmitir confiança num momento de ansiedade pela cura de seu filho e, com o final feliz da história, elas acabaram por incorporar uma força simbólica a mais.
Outro campo explorado pela artista é o das composições mais abstratas, que remetem a jardins-florestas. Essas pinturas são realizadas em espaços arquitetônicos, como salas, corredores, escadarias, transformando-os em “pinturas instalativas”. Erica utiliza a tridimensionalidade desses espaços para criar uma experiência imersiva única. Nesse campo, a referência botânica, com plantas, cipós, flores e pequenos animais por vezes desaparece, deixando apenas formas orgânicas, traços e pontilhados que ocupam e organizam o espaço visual de maneira quase-arquitetônica.
No ambiente urbano, Erica Mizutani mistura esses dois campos estéticos, tanto as Mizulinas quanto os “jardins-florestas” podem aparecer isoladas ou integradas. Suas intervenções urbanas de grande escala trazem uma nova perspectiva para o espaço público, transformando-o em uma galeria a céu aberto. Essa combinação de estilos e temas cria uma atmosfera singular nas ruas, despertando a curiosidade e o interesse do público.
Por fim, Erica também se aventurou na produção digital, associando suas pinturas a projeções para criar uma obra imersiva e interativa. Um exemplo disso é a “floresta viva” criada para o Sesc Mogi, na qual o público podia interferir no movimento das plantas e animais representados na obra. Essa fusão entre arte tradicional e tecnologia demonstra a versatilidade e a capacidade de inovação da artista




