Choque Cultural

A Galeria Choque Cultural está localizada na Alameda Sarutaiá, 206 – Jardim Paulista – São Paulo/SP, entre a Brigadeiro Luís Antônio e a Joaquim Eugênio de Lima. O estacionamento é Zona Azul e possui fácil acesso pelo metrô (Linha Verde). Próxima à Av. Paulista, é uma ótima opção para amantes da arte e apreciadores da cena cultural paulistana.

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MARIANA MARTINS

Natureza Obscura – O mundo particular de Mariana Martins

 

Abertura: 11/11/2023

A exposição de dioramas de Mariana Martins (São Paulo, 1958) abarca sua trajetória desde a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, na USP, até sua biografia de colecionadora e sua jornada de artista plástica, que tem como suportes preferidos a colagem e a assemblagem.

O conjunto de trabalhos em “Natureza obscura” revela o oculto da natureza, mesmo na normalidade aparente dos dioramas mais realistas. Jardins no qual toda potência da natureza, tanto criadora, quando destrutiva estão presentes.

São cenas do universo prosaico, que apontam para uma ordem que oculta outra ordem. Uma ordem invisível aos olhos. Diálogos impossíveis. Balés improváveis. Composições apocalípticas. Uma espécie de gabinete de curiosidades em que as antinomias fazem a construção de um novo mundo. O mundo particular de Mariana Martins.

Obras
Veja as obras da exposição
Bio
Sobre o artista
Local
Alameda Sarutaiá, 206 – Jardins
São Paulo – SP

SOBRE A EXPOSIÇÃO

O Mundo particular de Mariana Martins – Texto da curadora Lui Carolina Tanaka

Na noite escura do ser, no dentro de cada ser, existe uma natureza selvagem. Um lugar não habitado e sequer ainda explorado. Esse lugar secreto e também maravilhoso é da ordem do obscuro. Obscuro no sentido de desalumiado, incógnito e totalmente desconhecido.

Adentrar a natureza obscura do ser, exige o mesmo cuidado de quem embrenha pela primeira vez em mata virgem. Em ambiente selvático. Em território desabitado. Em zonas abissais. E ao mesmo tempo, a mesma delicadeza de quem contempla algo pela primeira vez. Porque nesse lugar de obscuridade do ser está toda sua intimidade ainda não revelada.

O sonho, às vezes um gesto, um dito ao acaso, uma aparição no tempo que o tempo logo torna pretérito e a obra de arte revelam um tanto desse mundo particular. Então, nesses raros momentos é preciso alumiar com o olhar de dentro e quiçá com os demais sentidos, o que estava até então oculto.

É demorar-se nessas coisas. Coisas tão passageiras. Coisas tão sutis. E como se demorando-se nelas, fosse possível captar o que ainda não existe no mundo real. Uma tentativa de compreender o mundo particular de cada ser, no qual cada um, cada um de nós coleciona arcanos desde a primeira infância.

Tantas coisas e coisas tantas que, se trazidas à tona, seriam como uma espécie de assemblagem de diversos fragmentos de vida, que revelariam um pouco do que há no dentro de nós. No mais secreto de nós. E talvez, o que é o mais de nós mesmos.

O colecionismo faz parte da biografia de Mariana Martins, que desde sempre recolhe objetos do mundo real e também do seu de dentro. A colagem resulta na obra. Uma técnica, não no sentido de arte ou artesania, mas no sentido primevo de “deixar-aparecer”.

Os gregos antigos usavam o verbo tikto, cuja raiz é tec, para expressar a ideia de mostrar a essência da produção, como em tékne, técnica, em português. De modo que técnica quer dizer em primeira instância “deixar-aparecer”, fazer surgir, desocultar uma essência, desvendar, desvelar o de dentro.

No de dentro do ser da artista Mariana Martins há um mundo particular muito peculiar e que está revelado nos dioramas. Curioso, então, pensar que no próprio termo diorama – palavra formada a partir do prefixo grego “di”, que significa através e “hórama”, também do grego, que quer dizer “o descortinar do espetáculo” e/ou “a vista do todo” – está contemplado o  uso da técnica para revelar o dentro do ser.

De modo que esse ser de dentro de Mariana Martins descortina um espetáculo em miniatura: resgatando elos perdidos, promovendo diálogos impossíveis, criando balés improváveis e  realizando composições apocalípticas. É um espírito que abarca uma espécie de gabinete de curiosidades em que as antinomias fazem a construção de um novo mundo possível.

Um mundo em que mesmo na normalidade presente nos dioramas mais realistas, de realismo puro, sem qualquer tipo de elemento caricatural, há uma ordem que esconde outra ordem. Uma ordem invisível aos olhos. Algo incomodo, quer seja pela sua preeminente transformação, quer seja pela sua insólita consumação prestes a devir.

A lagarta é um elemento quase sempre presente,  símbolo da transformação e também do esgotamento, dada sua índole faminta, que a tudo consome para transformar-se noutro ente. O pequeno inseto está em uma vida normal, no american dream, na cena do universo prosaico, no sentimento de melancolia e também no lugar mais onírico do mundo particular de Mariana Martins.

O diorama foi criado por Louis Daguerre (França, 1787-1851), inventor também do daguerreótipo e da câmara obscura. As três criações de Daguerre têm em comum a caixa preta. Nela, a realidade é tomada e transformada em imagem. Uma novidade. Uma transformação sempre presente. A imagem da imagem. Mas, também, de certo modo, a realidade consumida pela sua própria imagem.

A recriação do que se vê, a transformação dos objetos, o eterno jogo simbólico de trazer luz, sentidos e a construção de pensamento, nada mais é do que o habitar as coisas, a natureza, o que construímos e, de certo modo a nós mesmos. Por isso, não tenha medo e habite o particular mundo secreto de Mariana Martins.

ARTISTA

Mariana Pabst Martins nasceu em 1958, em São Paulo, Brasil. Graduou-se em arquitetura e urbanismo na Universidade de São Paulo. A arte sempre foi o eixo principal dos seus projetos e realizações. Desde 1981, ano da sua primeira exposição, intitulada “Diplomas”, Mariana já apresenta os traços que se tornariam tão característicos de sua produção artística. Mariana coleciona memórias.

Os suportes preferidos pela artista são a caligrafia, as artes gráficas e gravações, a colagem e assemblagem, além das esculturas e instalações de escala arquitetônica. Atualmente, Mariana dedica-se à assemblagem produzida com resina transparente vitrificada onde amalgama suas memórias, criando colagens tridimensionais.

Mariana Martins fundou, em 2004, a Choque Cultural e, em 2011, o Instituto Eduqativo, entidades através das quais realizou inúmeras exposições, projetos urbanos e pedagógicos; isso inclui tanto projetos autônomos quanto projetos em parceira com instituições, como Memorial da América Latina, Museu Afro Brasil, MASP, Pinacoteca do Estado, Fundação Banco do Nordeste, SESC, Fundação Banco do Brasil entre outras.

DETALHES DE ALGUMAS DAS OBRAS

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