Penna Prearo nasceu em 1949 em Maylasky, distrito do município de São Roque, em São Paulo e foi criado na periferia de São Paulo, em Itapevi. Seu pai era ferroviário da Estrada de Ferro Sorocabana e passou sua infância brincando nos trilhos. Já em idade de trabalhar, Prearo pegava diariamente o trem para a estação Júlio Prestes para chegar na Editora Abril, onde assumia o posto de pesquisador de vendas.
A partir de 1968, ano em que se muda para São Paulo, passa a frequentar estúdios e redações, como a Arte & Comunicação, editora fundada por egressos da extinta revista Realidade e o estúdio Prova Filmes de José Pedro Scatena.
Autodidata, foi nesse ambiente que Prearo começou a aprender “as coisas do ofício” com pessoas como Claudia Andujar, George Love e Roberto Freire, o psiquiatra e poeta. E onde conheceu Mutantes, Zé Rodrix e Renato Teixeira entre muitos outros artistas.
Em 1972 recebeu sua primeira encomenda fotográfica: retratar o músico Tim Maia para uma capa de disco; em 1977 fez a foto de capa do álbum Elis de Elis Regina. A proximidade com o universo musical tornou-se permanente e entre seus retratados estão artistas de várias épocas e estilos tão distintos como Milton Nascimento, CPM22 e Música Ligeira.
Prearo também é muito atuante no meio editorial, tendo colaborado com as mais diversas revistas, como Placar, Bizz, Trip, Bravo, Rank, Sem Número e Vogue dentre muitas outras. Entre 1990 e 1993, foi responsável pelo estúdio fotográfico do jornal Folha de S. Paulo.
A partir de 1977, começa a expor seu trabalho fotográfico autoral ao participar de mostra individual na Escola de Fotografia Imagem-Ação, em São Paulo e, em 1978, do Primeiro Colóquio Latino-Americano de Fotografia, no México. No ano seguinte, participa da exposição Presença da Criança nas Américas, no Chile e em 1980 da Primeira Trienal de Fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP.
A vibração, a força e a beleza das imagens de Penna Prearo, residem no seu olhar apurado e certeiro. Ele tem o entusiasmo daqueles que procuram a vocação inesgotável que a fotografia tem de nos surpreender – Rubens Fernandes Junior.
Imagens para reconfigurar o mundo
Por volta de 1984, a estética pela qual o artista Penna Prearo é reconhecido começa a ganhar forma com o surgimento das primeiras imagens de Transmutantes, uma das inúmeras e longas séries que passaria a desenvolver a partir de então.
No catálogo da individua Olho por olho, ocorrida em 1993, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, o curador e crítico Agnaldo Farias assim descreve a foto de Prearo:
“Nessas imagens o tempo e o espaço foram embaralhados. Às vezes mais, às vezes menos, as figuras humanas surgem sempre através de cortes, ângulos e em situações incomuns. Seus gestos, mesmo quando familiares – andando, repousando, tocando um instrumento musical – soam estranhos e distantes.”

Currículo Penna Prearo
Seus trabalhos autorais vêm sendo apresentados regularmente em exposições coletivas e individuais no Brasil e noutros países: 1991 participa da exposição Sobrecor na Casa de Fotografia Fuji, em São Paulo e da exposição Fotofest – Color from Brazil, em Houston nos Estados Unidos.
Participa de itinerância com a exposição Sampa no Museu Het Domain, em Sitterd, na Suíça, em 1996 e em no Museu Alten Post, em Mülheim an der Ruhr, na Alemanha, em 1997. Ainda em 1997, participa da mostra News From Brazil na galeria Ascenbach, em Amsterdam, na Holanda e do Terceiro Mês Internacional da Fotografia no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.
Em 1999 Com a série “São Todos Filhos de Deus”, Prearo recebe o Prêmio Aquisição do Banco J. P. Morgan, e passa a fazer parte da coleção do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Também está presente nos acervos da Coleção Pirelli/MASP em São Paulo, da Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, no Acervo Digital do do Itaú Cultural e na Fototeca de Havana em Cuba.
Outra série dá nome a seu primeiro livro, “Jornada do alumbramento de Apollo” (Ed. Madalena), publicado em 2016. Seguiram-se as séries Alma de Borracha apresentada em São Paulo em 2002, “Quatro quadras” em 2006, Delírios passageiros entre deleites sacramentados” em 2007 e “Portal de Alice em Atlantis” em 2014.
