Choque na SP-Arte | Estande D-15
Amazônia Crew é um programa que visa apresentar uma cena de arte urbana amazonense, já muito forte e consolidada localmente. À partir de parceria com a curadora manauara Virna Lisi, pretendemos promover os artistas responsáveis por essa vibrante cena amazonense em São Paulo e, também, dentro da rede expandida de artistas acompanhados pela Galeria Choque Cultural.

O programa se constitui de uma mostra de vídeo (que será lançado na SP-Arte Rotas Brasileiras) e uma exposição (que acontecerá em outubro, em São Paulo). O grupo de artistas representados não é propriamente um coletivo – eles não trabalham juntos – mas formam um grupo identificado com as questões de território e ativismo social. Segundo Lisi, ”Todos desempenham um papel em seus locais de moradia, em seus bairros e comunidades, estão sempre em movimento atuando em prol da Arte, dos artistas, causas sociais, ambientais , feministas, de combate ao racismo, homofobia e transfobia. Alguns artistas desta exposição possuem um papel forte para as pessoas de sua área de influência”.
VEJA VÍDEO-TEASER DE AMAZÔNIA CREW
Artistas de Amazônia Crew:

AUÁ MENDES
Auá Mendes tem 23 anos e é indígena do Povo Mura, artista, manauara do Amazonas, utiliza suas obras como ferramenta de fala e política do corpo marginalizado preto, indígena e transvestigênere, porém se apresenta de forma extremamente sensível e feminina, delicada e forte ao mesmo tempo. “Sigo em falar, mas não apenas com a boca, falar de diversas maneiras, por meio de suportes dimensionais ou tridimensionais, analógicos, digitais. Tenho como posicionamento a retomada do meu espaço de fala que é massacrado pela cisnormatividadepadrãobranca existente”. Sua série “SESÁ PIRÁRI” inspira seu graffite e obras nesta exposição , trazendo para o público, a experiência de mergulhar no universo e caminhada cósmica de Auá Mendes, convidando-nos a sentir um pouco de seus sentimentos e emoções que emanam de seus traços e sua paleta predominada pelos azuis profundos da série. (foto: Pelozoi).

CHERMIE FERREIRA
Artista de Manaus, Chermie Ferreira, 34 anos, é o nome de um peixe amazônico, também conhecida como Sara – de nascimento – recentemente ela também se tornou Wira Tini, cujo significado na tribo Kokama é pássaro branco. Como peixe, nada forte e vence qualquer curso de água e como pássaro voa longe para conhecer o mundo e homenagear o seu povo e a sua história pessoal. Chermie é reconhecida nacionalmente e radicada em São Paulo desde 2018, , sua arte destaca-se por reunir inúmeros elementos de suas raízes ancestrais. Há forte presença de seus povos originários e a força feminina que possui inspiração no legado deixado por sua mãe, avó e todas as mulheres de sua família. Obra com título “Ancestralidade” ,técnica spray e acrílica sobre tela 80×60 cm, carregada de maternidade e sabedoria de cura, é inspirado nas mulheres originárias ancestrais que nos ensinaram, e ensinam, os remédios chás e toda a sabedoria da Amazônia.

JANDER MANAUARA
Legítimo representante no Hip hop amazonense, Jander Manauara, 40 anos, atua no circuito independente de Manaus desde 1999. Sua arte se destaca por abranger o universo além da música, atuando nas causas artivistas, sociais e ambientais, promovendo e apoiando inúmeros movimentos de cidadania nessas temáticas dentro e fora de Manaus. Sua música representa o regionalismo em forma de poesia somado ao ritmo do rap, sincronizadas a influências das múltiplas batidas do norte, provindas das culturas africanas e indígenas. Jander Manauara nesta exposição estreia ”Cidade quente”, um registro audiovisual sobre questões de comportamento e do emocional quente do povo nortista e a frieza dos dias em relação aos cuidados ambientais e descarte incorretos de materiais que poluem e degradam os espaços pela cidade de Manaus. (Foto: Roberto Coelho)

JANDR REIS
Jandr Reis, 47 anos é artista de renome internacional, recentemente impactou a cidade de Manaus com sua instalação “Mãos que matam” executada no período da cheia histórica 2021, trazendo à tona a questão da preservação do meio ambiente e os reflexos da humanidade sobre a natureza em que vivemos. Com mais de 30 anos de experiência, o artista se destaca nas artes plásticas com suas séries Orquidário Amazônico e Jaraquiart. A série Jaraquiart tem grande influência da sua infância e da paixão do artista pela arte do americano Jean- Michel Basquiat, porém esta produção também é um reflexo de suas séries anteriores, unindo seu orquidário ao urbano além de elementos do cotidiano ribeirinho. A união de peixes amazônicos, canoas, cuias e a simbólica cúpula do Teatro Amazonas demonstram sua conexão com a exuberância amazônica, na qual vem revelar uma de suas características mais marcantes, pinturas em formato grande, consequência quase inevitável e inegável em todo o processo de formação e manutenção da própria Amazônia.
“Mãos que matam” é uma intervenção artística que Jandr Reis executou em 2021 no meio da maior enchente já registrada da história de Manaus em dois locais, em frente à Catedral Metroplitana no centro alagado da cidade, e no arquipélago de Anavilhanas a 3 horas da capital amazonense. As “mãos” representam as forças poluidoras presentes em nosso cotidiano que nos acenam como num triste cumprimento de adeus à natureza, e nos adverte sobre o acúmulo de lixo na cidade que desaguam nos igarapés e rios. Já em Anavilhanas, as luvas flutuam nas águas do Rio Negro em contraste com a natureza exuberante do igapó alagado. Nesta cena, o artista impacta a paisagem mostrando a perspectiva de um futuro tenebroso de poluição na Amazônia. Em forma de documentário e mosaico de fotos, o artista envia seu alerta ao público paulistano para fortalecer a luta pela preservação da Amazônia.

KEILA SANKOFA
Keila Sankofa é Artista visual e Cineasta. Compreende a rua como espaço de diálogo com a cidade, produzindo instalações audiovisuais que exibem filmes, fotos e videoartes. Artista que utiliza a fotografia e o audiovisual como ferramenta para propor autoestima e questionar apagamentos de pessoas negras; Reconhece o espaço urbano como encruzilhada de possibilidades, que proporciona um diálogo decolonial com o público. Indicada ao Prêmio Pipa 2021. Tem uma vasta experiência na direção de produção de projetos audiovisuais como séries e curtas, além de produção de mostras, festivais e espetáculos de diversas linguagens artísticas. Gestora do Grupo Picolé da Massa, Diretora artística do Projeto Direito à Memória – Outras Narrativas, membra da APAN Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro e Nacional Trovoa.
O projeto de pesquisa artística Ancestralidade de Terra e Planta é uma ocupação que traz obras em fotografia, videoinstalação e performance, juntas ou separadamente. Baseia-se na utilização das plantas para cura e a terra como ferramenta que guarda memória, o projeto é um banho para renascimento, onde o contato se torna um elemento transmissor de informações enterradas pelo apagamento histórico. Manter esses usos e costumes tradicionais é estabelecer relações com o sagrado. Sendo esses processos ritualísticos, tecnologia ancestral guardada pelas rezadeiras, xamã, yalorixás e babalorixás.

MANAUSMACACO
Video artist, artista plástico de Manaus, Manausmacaco, com 47 anos, tem como bagagem extensa trajetória e alto domínio multitécnico nas artes plásticas. Transita entre as telas de tinta a óleo e a madeira caída da floresta que, forjada por suas mãos, transforma-se em semiótica. Suas criações situam-se numa paisagem complexa que nos remetem ao universo HQ das histórias em quadrinhos, repletas das referências que cimentaram sua envergadura artística : pop art, HQ, cultura punk rock com pinceladas de surrealismo e psicodelismo. Suas imagens são emolduradas em frenética e precisa edição, embaladas em letras melodias e beats totalmente originais.
Manausmacaco nos apresenta uma poética sofisticada da cultura millennial, resultando em peças sensoriais alimentando-nos os sentidos e estimulando-os ao limite. A videoarte intimista “TO FORGIVE” nos traz sucessão de sensações visuais que revelam a trajetória a partir do ser humano materialista para um ser evoluído através de IA, avalanche de frames de um homem desistindo da violência, encontrando a Luz, alçando vôo e finalmente assumindo uma postura evolutiva de luta e alerta para o futuro. A experiência visual criada por Manausmacaco representa verdadeiras reverberações quânticas de um evento de transição evolutiva espiritual do artista durante a pandemia, no qual seu ápice é a manifestada na videoarte TO FORGIVE , “Perdoar” , se auto perdoar.

MARIETA
Marieta é Nadja Kristhina, 30 anos, de Recife e radicada em Manaus. Artista plástica com formação Acadêmica em Artes Visuais na UFAM, Universidade Federal do Amazonas, estreou sua primeira exposição solo em 2014, exibindo uma série de pinturas, suas “Marietas” pintadas com semblantes enigmáticos e visual retrô. Um estilo original , que segundo a artista, se encaixava com “arte lowbrow”, revelando o complexo processo da artista em pesquisa e execução da pintura até a moldura. Após muitas exposições e eventos, Nadja pesquisa novas técnicas e vivências entrando em nova fase.
Marieta renasce nos muros da cidade já adulta e com postura empoderada, atraindo a simpatia da população jovem, feminina e LGBTQIA+. A libertação das paredes das galerias para as ruas da cidade , dos quadros para o Graffiti, reflete uma bela e corajosa trajetória de Nadja Kristhina e Marieta. Seus mais importantes trabalhos foram exibidos na exposição “O Brasil através da Arte Urbana”, Memorial da America Latina e Fábrica de Graffiti em Sabará MG. Em exibição haverá este diálogo, entre o graffiti com as obras da primeira fase da artista. Transportará o público às origens de Marieta e suas histórias de infância, seus traumas e pesadelos, mas ao mesmo tempo, é possível reconhecer “no olhar” uma jornada de crescimento em Sharon e o fortalecimento na obra Fridinha. Nosso objetivo é interagir com o espectador e convidá-lo a entrar no universo de Marieta. (Foto: Rodrigo Teixeira)

RAIZ
Rai Campos, conhecido como Raiz, é uma das maiores expressões do graffiti na região Norte, reconhecido nacionalmente, ao transformar seu imaginário em peças que representam a fauna, flora e povos nativos amazônicos, tracejados com cores e técnicas mistas em muros, palafitas, casas flutuantes, viadutos pela Amazônia e algumas capitais do país, tendo inclusive seu trabalho exposto na Bienal Internacional de Graffiti em 2022. Sua maior marca está em retratar personagens indígenas em suas atividades habituais, como forma de reconhecimento e respeito aos povos originários amazônicos. Inserir elementos de grafismos e paleta contrastante também são suas características. Seu trabalho se dá em texturas orgânicas retratando lideranças de povos originários um verdadeiro tributo aos povos originários. “Admiro a visão de mundo dos indígenas e faço questão de compartilhar essa admiração com a cidade”. (Foto: Tabyta Aguiar)

RAKEL CAMINHA
A multiartista estreou com sua primeira exposição solo em 2012: “Devaneios”, em que apresentou pinturas e desenhos. Já em 2017, na exposição “Tatuagem”, passa a trabalhar a técnica da colagem como forma de expressar sua poesia, na qual apresenta sofisticadas sobreposições de imagens em um surrealismo futurista inserido em paisagens caóticas. Tudo isso forma um complexo visual que nos faz mergulhar em profunda narrativa. Esta, influenciada pelos elementos da natureza, das mitologias indígenas, interferências cibernéticas, psicodélicas da cultura POP e a delicadeza revolucionária do Pós-Renascimento. Parte desse universo pode ser visto desde Maio de 2022, quando estreou em SP, no telão do Farol Santander, a videoarte “Um Norte (in)Visível”.
Este ano ainda estará em exposição coletiva na Academia Amazonense de Letras na The Art Gallery ICBEU. Segundo palavras da própria artista “O videoarte ‘Amazônia de Sangue – Floresta em vermelho’ traz críticas políticas à invisibilidade das questões mais urgentes da floresta. A cor vermelha representa a cor da minha terra e do povo que nasce aqui, não só em Manaus, mas em todo o Amazonas. Em meio aos ossos – que se movem e que crescem demais e abrem margens e viram nascentes- há gritos de socorro. A natureza? Cheia de buracos pelo corpo todo. Território violado. O Garimpo ilegal dos metais preciosos, as grilagens, o estupro e aniquilamento de corpos indígenas, o tráfico de madeiras e tudo que possível for que ganha a mata – e que só causa danos à quem não é playboy nem costa-larga”.

SKARLATI KEMBLIN
A artista urbana Skarlati Kemblin tem 27 anos e é natural de Manaus, Amazonas. “Sou cria de várias periferias da cidade, o primeiro sendo São Lázaro, onde morri e depois nasci pela primeira vez. Utilizo múltiplas linguagens, dentre elas fotografia, o corpo, colagem, vídeo, pintura, grafite, como forma de expressão e tentativas de projetar-se como forma de existir para além da matéria e corpo: Memória que vira papel, Impressão, Pixels, Roupa. Entendi que tudo começa no corpo. Penso a vida como um estado constante de memórias, abundantes, que não se desassocia de outras vidas, da natureza, do lugar, de pessoas, que não se resume a dor e ao trauma. Partindo de um território, especifico, onde muitas violências são geradas e fomentadas pelo plano colonial de apagamento, esquecimento, e diversos tipos de racismo, busco deixar pelo caminho, imagens de vida. É onde a rua entra. E onde Estou na maior parte do tempo”.

TIAL
O grafiteiro Flávio Tial, é um artista urbano da periferia de Salvador. Atualmente residindo na cidade de Manaus, trabalha sua arte buscando referências no cotidiano das pessoas, baseado em fatos e acontecimentos reais do nosso dia, manifestados em seus graffitis em uma linguagem poética de forma lírica, criando personagens que despertam diversas reflexões e curiosidades, provocando um diálogo indireto com o expectador. Em seus trabalhos mais atuais, ele procura expressar através do seu personagem, denominado Cabeça Maloca, um ícone que habita os muros e paredes da cidade abrangendo uma complexa linguagem em forma de metáforas visuais das quais, trazem reflexões polêmicas que ainda unindo referências entre o negro e o índio, provoca o olhar do espectador, pela delicadeza em seus movimentos, trazendo à tona novas perspectivas sobre a vida desse ser dentro da cidade.
A obra “Prisão Digital” mostra o relação do indígena com a tecnologia. Despertando ao mesmo tempo a importância e necessidade de estar inserido no universo das telecomunicações. Na imagem existe um abraço, onde um dos indivíduos possui um celular fazendo uma selfie onde traz a reflexão de afeto ao próximo e de si mesmo, a autoestima. Que é algo que foi mais almejado no período de Pandemia onde as pessoas não podiam se tocar e mantinham uma lei de distanciamento, e lockdowns. onde tivemos necessidade de se adequar mais ainda ao universo das redes sociais, lives, podcasts, bancos digitais dentre outros. Essa proposta, vai além do tema do “surrealismo indígena” sempre inserido em seu trabalho, que é aquela coisa enigmática, intrigante, de despertar curiosidade nos espectadores, insere intervenção orgânica criando uma textura sobre a tela convidando o público a refletir sobre o lúdico e as relações de troca simbólica entre culturas diversas entre si.

TURENKO
Aníbal Augusto TURENKO BEÇA, 51 anos, é de Manaus, começa a pintar aos doze anos por influência de artistas que frequentavam sua casa , e em 1989 participa de sua primeira exposição coletiva. Desde 1992 realiza pesquisas sobre a Amazônia, relacionando aspectos naturais e antropológicos das sociedades indígenas e da biodiversidade, sobremaneira a relação do Amazônida com as Águas. Milita na cultura desde cedo, participando da elaboração do Primeiro Plano Nacional de Cultura do país. Dirigiu as galerias da SEC AM. Dirigiu os Museus da SEC AM. Atualmente dirige o departamento de Economia Criativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado. Educador. Com 33 anos criando e expondo, seus mais recentes trabalhos foram exibidos na 1° Salão Nacional de Artes Visuais da Quarentena, São Carlos, 28 de abril de 2020; 1º Salão Artes para Adiar o Fim do Mundo. Casa Visual Galeria, Tocantins; Museu de Artes Xumucuís, 2021 e a exposição XILOGRAFITTI, Sesc Consolação SP, 2022. As obras que apresentarei na exposição serão duas: o Cavalo-do-cão e o Bicho-de-7-cabeças. Dois monstros fusionais: meio hidra, Cérbero, cobra-grande e piraíba. Esses monstros representam muito o momento atual que vivemos. Utilizando a técnica de linóleo, os tamanhos serão de 200x100cm. Além dos monstros protagonistas, teremos construções de símbolos diversos que remetem a minha poética construtiva e que tem como base fundamental a Amazônia. O “glolocal”, ancestral x contemporâneo; primitivo x tecnológico; floresta x cidade, bem típico da minha vivência na cidade de Manaus.
