Uma das mais instigantes e inspiradoras experiências da minha vida

Assim eu, como curador e urbanista, posso definir o projeto em conjunto com a artista norte-americana Swoon e uma grande equipe de colaboradores, a partir da exposição “De Dentro e De Fora no MASP”, durante o ano de 2011. Jamais imaginei que seria possível realizar algo tão radical, quase utópico num local tão populoso e restrito quanto o Vão do MASP. Nós construímos ali e mantivemos funcionando por quatro meses, uma pequena vila autônoma e auto gerida para servir de abrigo temporário aos sem-teto da região. Consegui liberar o projeto com a direção do museu, a Prefeitura, o Condephat, o Compresp, o Iphan, a PM, a GCM, a feira do MASP. A Swoon trouxe equipe de fora e construiu não só a vila chamada Ersília, mas toda uma arquitetura humana, formada por artistas locais e uma rede de ONGS que transformaram o “shelter” numa usina de ideias avançadas sobre um novo urbanismo “verde” e participativo, reunindo mais de uma centena de ONGS e ativistas atuantes nos eixos da mobilidade, moradia, reciclagem e plantação urbana. Uma escola de vida para todos os participantes. Ninguém saiu ileso do programa: muitas novas organizações surgiram ali e todos passamos a entender melhor o poder e o papel da arte na criação de cidades melhores (depoimento de Baixo Ribeiro).

Pedro Alonzo, curador do ICA Instituto de Arte Contemporânea de Boston, tem se dedicado a apresentar institucionalmente, artistas advindos do universo da Arte Urbana. Durante a exposição De Dentro e De Fora*, o convidamos para participar de uma mesa sobre o tema. Sobre a participação de Swoon, uma das artistas que o curador acompanha, deixou algumas palavras:
“Quando convidada para participar da exposição do MASP, Swoon propôs construir um abrigo funcional para os sem teto no vão livre do museu. Detalhes do projeto do MASP me provocaram inveja curatorial por conta do engajamento direto com o público e do impacto social positivo. O museu foi projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi, que elevou o edifício acima da rua de forma a permitir uma vista desobstruída do entorno e fornecer aos paulistas uma praça para se encontrar e conviver. Swoon compreendeu o espírito do design e usou o espaço para reunir e envolver o grande número de desabrigados da cidade.
















